A sós
A saudade a bater, uma dor que ao doer é só minha. Entranha-se o cheiro do fumo, do fogo que já não é, e eu sinto um ligeiro desconforto no estômago. Não é só do cheiro. É do que sinto, que me embrulha por dentro. É de saber que não é isto ainda, não pode ser, e eu mantenho-me aqui. Ainda não me fui embora. Não afastei ninguém; só consegui adicionar confusão à minha vida. Não quero fugir, quero resolver. Levanto os braços para o fazer, e parece que perco a força quando penso nesse olhar a entrar dentro dos meus olhos como se fosse um abismo. Se calhar não, se calhar não quero resolver. Bloqueio, perco as palavras, fico sem nada para dizer. Não me sai nada. A luz que se arredonda, alongando-me a sombra sozinha. Deixo que os silêncios consumam o tempo. A luz do telemóvel ligada, a chamada a correr, e eu sem que me saia uma palavra.
Tenho tudo a dizer, e nem uma palavra para o ilustrar.
Tenho tudo a dizer, e nem uma palavra para o ilustrar.

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